sou um cara raro
sempre calmo, mas não paro.
nunca durmo, não apavoro
que sabe dizer te adoro
que sabe dizer te amo
[se for o caso]

mas não minto

faço bom uso do pinto
mas posso só dar carinho
admiro teu caminho
ajudo no que der
sou educado

amo arte

oriundo da ralé

pois é

eu falo e ouço na mesma proporção
R E S P E I T O é meu refrão

sou um cara raro
cuido de tudo que me é caro
meus discos

meus amigos

meu time

 

mas minha mulher tem muito mais valor

tanto quanto minha fé

 

me deito aos pés

de uma rainha analfabeta

nunca entro em treta
ando sempre em linha reta
as curvas são da estrada
o que eu faço é acompanhar
vou na frente com a espada
não deixo a linha emaranhar

 

choro o mar

encho a cara

só que isso é coisa rara

 

 

sempre sara

 

 

 

peço colo pra Iáiá

nada como comer

nada como cozinhar

uso salsinha, majerona, coentro e alecrim

se eu começo alguma coisa

eu vou sempre até o fim

 

vem pra mim, que eu sou o cara

que te ofertará com mel

camafeu

pena de arara

te acompanha na calçada

pela mata fechada

sem viver de aparência

sem viver de fachada

 

vem pra mim, que eu sou tão

raro

mesmo com o alvo bem longe

uma flecha eu disparo

quase nunca é em vão

mas se for, paciência

 

só não quero ninguém

botando a mão na minha essência

 

 

eu sou o cara

 

 

sim, é meia – noite, a lua é cheia
eu já vou deixar minha aldeia
vou cruzar uma montanha
sangue nobre na minha veia
na algibeira levo pó, levo pedra
e vou só
meu barrado se arrasta

minhas tranças tão em nó

três caminhos a minha frente
e uma cinza ainda tá quente

desse lado é mais escuro
no outro só vejo os dentes dele
não vejo pele

só ouço a voz “ tó…”
seu punhal é de cobre
seu escudo é de zinco
a lança é feita de bronze
vá antes que se atrase

 

então

sigo viagem

por uma estreita margem

quase tudo é pantanoso

todo fruto é venenoso

 

 

 

daqui já avisto tendas

onde matarei minha sede

minha fome

e contigo

deitarei em uma rede

 

 

 

só não sei se é nessa vida

 

 

 

 

eu sou o cara

 

mais corajoso

 

que já se ouviu falar

 

 

 

 

[lurdez da luz]

 

 

 

 

 

 

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